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Um sistema tributário muito simples pode não ser justo, explica Heron Charneski

Por: Heron Charneski05 de março de 2026

Um sistema tributário muito simples pode não ser justo afirmou Heron Charneski. Segundo o executivo, todos defendem um sistema tributário mais simples. Porém, ele também precisa cumprir outras funções, como ser eficiente e garantir a arrecadação de forma justa:

“Existe um limite para a simplicidade, a partir do qual ela não pode avançar sem comprometer outros objetivos e garantias do sistema, como a segurança jurídica, a legalidade e a própria igualdade, baseada na capacidade contributiva das pessoas. Esse é o dilema: um sistema excessivamente confuso e complexo dificulta o cumprimento da lei e acaba estimulando a sonegação”, disse.

A declaração foi feita durante mais uma edição do podcast Tax Capital, do Portal da Reforma Tributária, mediado pelo editor-chefe Douglas Rodrigues, que marcou o lançamento do livro Questões de Princípios – Arquitetura Jurídica da Reforma Tributária, reunindo artigos escritos para a coluna do advogado no Portal.

A ORIGEM DA OBRA

Heron explicou que a ideia da coluna surgiu após a defesa do doutorado, e que o objetivo inicial não era esgotar o tema, mas provocar reflexão, passando um ponto de vista de que a “simplicidade não é tão simples assim”:

“Ao longo de um ano, foram apresentados pontos de vista sobre esses cinco princípios, que não se limitam apenas ao IBS e à CBS. Quando se fala em simplicidade, cooperação, defesa do meio ambiente, transparência e justiça tributária, trata-se de princípios de todo o sistema tributário, agora expressamente incorporados à Constituição, além dos dois específicos do IBS e da CBS”, disse.

Ele observou que, para muitos, esses princípios não são propriamente novos, pois já podem ser encontrados em outros dispositivos da Constituição, mas ainda assim contribuem para orientar a compreensão e a interpretação das regras trazidas pela reforma tributária.

Nesse sentido, Douglas concorda: “Muita gente diz — e eu concordo — que essa reforma está longe de ser simples. Temos analisado ponto a ponto e mostrado que, neste momento, ela tem trazido mais trabalho e até ansiedade para algumas pessoas. Já ouvi de contadores e tributaristas a mesma crítica: a reforma fala em simplificação, mas, na prática, não parece nada simples”.

O editor conectou o argumento ao princípio da justiça tributária e destacou que os próprios debates do podcast evidenciam essa tensão. Segundo sua avaliação, embora uma alíquota única pudesse tornar o sistema mais simples no Brasil, isso não garantiria justiça tributária. 

Nesse sentido, afirmou que a reforma procura equilibrar esses fatores, com a transparência desempenhando um papel central nesse processo.

SISTEMAS

Douglas chamou atenção para os riscos de uma visão muito técnica da reforma e para os impactos no dia a dia das empresas. Na avaliação dele, muitas organizações estão focadas em ajustes operacionais e na troca de sistemas, sem refletir se essas decisões farão sentido no médio prazo. 

Para o editor, o empresário não pode dedicar grande parte do seu tempo apenas às questões tributárias, já que sua atividade principal é tocar o negócio, vender e gerar resultados.

Charnesky concordou e reforçou que esse é um dos alertas centrais do livro:

“Há um equívoco em tratar a reforma apenas como uma mudança tecnológica ou, pior ainda, meramente operacional. É claro que a reforma tributária em curso no Brasil tem um forte componente tecnológico. A adoção do split payment, os mecanismos de garantia da arrecadação e o uso da nota fiscal como instrumento de dívida só se tornam viáveis com o apoio da tecnologia — e, nesse aspecto, o Brasil está bastante avançado”

Do ponto de vista operacional, ele destacou que a prioridade das empresas deve ser garantir a adaptação dos sistemas, de forma que notas fiscais e arquivos XML passem a refletir corretamente as obrigações e as notas técnicas.

LEGADO

Douglas comentou que acompanhou o surgimento das colunas, mas não imaginava que o projeto se transformaria em um livro. Segundo ele, a iniciativa ganha relevância institucional ao passar para o formato editorial, já que isso amplia o alcance do conteúdo e permite que o material circule em bibliotecas, o que considerou especialmente significativo.

Nesse sentido, o editor questionou: “daqui a dez anos, quando alguém pegar o seu livro, o que você espera que essa pessoa entenda sobre a reforma, que ainda não está clara?”.

Heron respondeu com uma visão histórica: “Daqui a dez anos, espero poder olhar para a reforma — e que as pessoas também a vejam — como uma mudança necessária, que precisou ser feita. Que haja, inclusive, espaço para corrigir aquilo que não funcionou como esperado, sem que isso gere desânimo, porque a busca pela segurança jurídica e pela justiça é permanente. Ela continua”, finalizou.

O livro Questões de Princípios – Arquitetura Jurídica da Reforma Tributária já está disponível para compra.


fonte: https://www.reformatributaria.com/tax-capital/um-sistema-tributario-muito-simples-pode-nao-ser-justo-afirma-heron-charneski/

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